Registo de interesse
E se isto deixasse de ser
uma petição e passasse a ser
um partido?
Uma petição pede. Um partido decide. Estamos a medir se existe gente suficiente para levar estas ideias a votos — liberais na economia, firmes na ordem, obcecados com o mérito. Deixe um contacto e será avisado quando arrancar. Não é uma inscrição, não o compromete a nada.
A nossa visão
Portugal pode ser um dos países mais prósperos do mundo. Não é uma frase de campanha: é o que a estatística diz sobre países do nosso tamanho. Dos dez territórios com maior rendimento por habitante do planeta, nove têm menos de doze milhões de habitantes — Liechtenstein, Singapura, Luxemburgo, Irlanda, Macau, Catar, Noruega, Suíça e Brunei (FMI). Ser pequeno não explica ser pobre. Ser pequeno é, no mundo real, a condição mais comum da riqueza.
A nossa geografia não mudou nas últimas décadas. O que mudou — sempre para pior, e sempre por decisão — foi tudo o resto: a carga fiscal, a lentidão dos tribunais, a burocracia, a produtividade. A distância entre o que Portugal é e o que Portugal podia ser não é um acidente do mapa. É o resultado acumulado de escolhas. E por isso é reversível.
O que já temos
Antes de prometer, convém fazer o inventário. Portugal tem 92.212 km² de terra e cerca de 1,7 milhões de km² de mar sob jurisdição nacional — dezoito vezes mais mar do que terra (DGRM) — e um pedido pendente de extensão da plataforma continental que acrescentaria direitos sobre mais 2,4 milhões de km² (EMEPC). Não é retórica atlântica: são recursos com dono legal e sem exploração.
Energia barata e limpa
0,113 €por kWh para a indústria no segundo semestre de 2025 — das três electricidades industriais mais baratas da União, cerca de 25 % abaixo da média europeia e menos de metade do preço irlandês (0,248 €). E 65,6 % da electricidade foi renovável em 2025, contra 49,9 % na média da UE (Eurostat).
A porta atlântica dos dados
17 cabossubmarinos aterram em Portugal. Nenhum ponto da Europa continental está mais perto do Brasil e da África Ocidental: a EllaLink liga Sines a Fortaleza e o Nuvem — 7.000 km, 384 Tbps — ligará Sines aos Estados Unidos (Submarine Networks).
Segurança e talento
7.ºpaís mais pacífico do mundo entre 163, no top 10 de forma continuada desde 2016 (Global Peace Index). E 28,9 % dos estudantes do superior estão em áreas STEM, acima dos 26,9 % da média da UE (Comissão Europeia).
E há mais, tudo verificável. O Alentejo e o Algarve recebem entre 1.800 e 1.950 kWh/m² de sol por ano, com variação entre anos de cerca de 2 % — um dos recursos mais previsíveis da Europa, e por isso dos mais financiáveis. O potencial técnico da eólica offshore é de 131 GW, cerca de cinco vezes toda a potência eléctrica instalada no país — e o leilão continua sem se realizar, com a meta para 2030 cortada para 2 GW (IEEFA). Portugal e a Irlanda são os únicos Estados-membros da UE cuja hora legal é UTC+0: uma empresa em Lisboa está a cinco horas de Nova Iorque, contra seis em Berlim, Paris ou Madrid — fecha o dia com a Europa e abre-o com a América.
O mercado já validou este inventário: em Sines nasce um campus de data centers com 1,2 GW previstos e 8,5 mil milhões de euros de investimento inteiramente privado (Start Campus).
O que nos falta
Com estes activos, a pergunta certa não é porque somos pobres — é o que está a bloquear a conversão. A prova de que ela não acontece tem nome e idade: 1,8 milhões de pessoas nascidas em Portugal vivem no estrangeiro, cerca de 17 % da população residente (Observatório da Emigração), e 73 % dos estudantes do superior ponderam emigrar depois de se formarem. Não é falta de patriotismo — é aritmética. O trabalhador português a tempo inteiro tem um ganho mediano de 16.749 € por ano, contra 45.188 € na Irlanda e 84.109 € na Suíça. E quem está nos 10 % melhor pagos em Portugal (40.943 €) ganha menos do que o trabalhador alemão mediano (46.721 €) — Eurostat. É este o número que enche os aviões.
Corrupção: o pior nível de sempre
56/100no Índice de Percepção da Corrupção de 2025 — eram 64 pontos em 2015, e 64 é hoje a média da UE: dez anos de queda contínua (Transparência Internacional). 91 % dos portugueses consideram a corrupção generalizada, contra 69 % na UE, e 64 % sentem-se pessoalmente afectados — mais do dobro da média europeia (30 %).
Justiça: a impunidade tem calendário
6,8 anosé a duração média de um processo de corrupção até à sentença, com casos de alto nível pendentes há mais de dez anos ainda antes de julgamento. Num processo administrativo ou fiscal são 597 dias na primeira instância e 1.200 na segunda — e a confiança das empresas na independência dos tribunais caiu de 44 % para 32 % num único ano (Painel de Justiça da UE).
Impostos de país rico, salários de país pobre
29,5 %de taxa máxima de IRC — a segunda mais alta da Europa, contra 21,6 % de média europeia, 12,5 % na Irlanda e 9 % na Hungria. Sobre o trabalho, a cunha fiscal é de 39,3 % do custo total, contra 35,1 % na OCDE. E uma hora de trabalho custa 19,4 € em Portugal e 19,1 € na Polónia.
Produtividade: pior do que em 2010
66,8 %da média da UE por hora trabalhada — eram 69,7 % em 2010, e a Polónia já está à frente (68,5 %). A causa é conhecida: o investimento caiu de 28,0 % do PIB em 2000 para 20,4 % em 2024, e 90 % do investimento público português dependeu de fundos de coesão, contra 14 % na média da UE (Tribunal de Contas Europeu).
Competimos com a Alemanha na tabela dos impostos e com a Polónia na dos salários.
E a convergência que nos prometeram automática não está a acontecer: em 2008 uma hora de trabalho em Portugal valia 56,5 % da média da UE; em 2025 vale 55,6 %. Dezassete anos e dezenas de milhares de milhões em fundos europeus depois, a distância não diminuiu — e o problema nunca foram os fundos. Ao ritmo dos últimos cinco anos, Portugal levaria cerca de 66 anos a igualar o custo médio do trabalho europeu: um jovem de 25 anos estaria reformado antes de o país lhe pagar salários europeus.
O prazo de 66 anos é cálculo nosso, aritmético e replicável a partir da série de custos do trabalho do Eurostat — não é uma projecção oficial.
A promessa
A promessa aos jovens — ficar em Portugal e ganhar alguns dos melhores salários do mundo — não é um slogan. É uma cadeia causal, e cada elo tem um responsável político. Electricidade industrial 25 % mais barata do que a média europeia, tribunais que decidem em meses, licenças com prazo e um custo horário do trabalho qualificado que em Portugal é de 28,2 € contra 71,7 € na Irlanda: isto atrai capital. Capital por trabalhador é o que faz subir a produtividade. Produtividade é a única coisa que paga salários altos de forma duradoura — não há decreto que substitua isso. E menos imposto sobre o trabalho garante que o aumento chega ao fim do mês, em vez de se perder na cunha fiscal.
Nada disto exige aventura orçamental. Em 2025 Portugal teve um excedente de 0,7 % do PIB e uma despesa pública de 42,7 % do PIB — quase sete pontos abaixo da média da UE (49,5 %). Baixar impostos, aqui, é devolver o excedente a quem o gerou, com a dívida a impor disciplina na despesa.
Um Estado que julgue em meses, licencie em semanas e tribute a 12,5 % não precisa de convencer ninguém a voltar. Basta deixar de dar razões para sair. As medidas concretas estão em baixo, uma a uma.
Fontes: FMI · Eurostat (electricidade) · Eurostat (ganhos) · Eurostat (custos do trabalho, produtividade, défice e dívida, renováveis) · Transparência Internacional · Comissão Europeia (Relatório do Estado de Direito 2025, Painel de Justiça da UE 2025, Education and Training Monitor) · OCDE (Taxing Wages) · Tax Foundation · Tribunal de Contas Europeu · Observatório da Emigração · DGRM · EMEPC · IEEFA · Global Peace Index · Banco de Portugal · Pordata/INE. Cada número está ligado ao ano a que se refere; onde o valor é um cálculo nosso ou um dado divulgado por uma empresa, está dito.
O que este partido defenderia
Um programa curto, sem ambiguidades, para se poder cobrar depois. Estas são as linhas com que se começa — o programa completo será escrito com quem se registar.
1. IRS fixo de 12,5 % — para toda a gente
Não apenas para o trabalho independente: uma taxa única de 12,5 % sobre o rendimento de todos os portugueses. Fim dos escalões que castigam cada euro adicional até aos 53 %, fim da máquina de deduções e exceções que só quem tem contabilista sabe usar. O mesmo imposto para quem trabalha por conta de outrem, por conta própria ou de ambas as formas — simples de perceber, impossível de manipular. A petição da Categoria I é o primeiro passo; o destino é este.
2. Energia e tecnologia à velocidade do mundo
Licenciamento acelerado — com prazos legais e deferimento tácito — para produção de energia, data centers, robótica e tecnologias de futuro. Quem quer investir em Portugal não pode esperar anos por um carimbo, e energia abundante e barata é a condição de tudo o resto. Isso significa renováveis a sério — temos 131 GW de potencial eólico offshore e nem um leilão realizado — e significa também abrir a porta ao nuclear de pequena escala (SMR): reactores modulares que dão à indústria energia estável, sem carbono e independente do vento e da hora do dia, no espaço de um parque industrial e sem a escala faraónica das centrais antigas. Não há soberania energética com ideologia — há com física, com preço e com licenças que saem a tempo.
3. Reindustrializar: fábricas no campo, portos para o mundo
A indústria não tem de nascer em Lisboa nem no Porto. Nasce onde há espaço, energia e vontade de trabalhar — e isso é o campo e o interior. O conceito é o que fez a Baviera, a Catalunha e o norte de Itália: instalar unidades produtivas fora das áreas metropolitanas e construir à volta delas ecossistemas de cadeia de valor — fornecedores, componentes, moldes, manutenção, logística, formação técnica — para que cada fábrica-âncora arraste dezenas de PME, em vez de ficar isolada num pavilhão a meio de um parque vazio.
Ligação ao mundo. Nada disto funciona sem portos: Sines é um dos raros portos de águas profundas do Atlântico europeu e tem de ser expandido — com Leixões, Setúbal, Aveiro e Figueira da Foz, e com as ligações ferroviárias de mercadorias que hoje faltam — para que uma fábrica no interior fique a horas do Atlântico e a dias de qualquer mercado do mundo. Energia barata. Temos sol e vento a mais e indústria a menos: electricidade abundante e competitiva é o argumento que atrai o que consome energia e paga bem — materiais, data centers, química fina, metalurgia. Fábricas e robótica. Não queremos competir por salários baixos; queremos competir por produtividade alta — unidades automatizadas operadas por técnicos qualificados e bem pagos, porque é da produtividade que nascem os salários. Talento. Engenheiros, técnicos e quadros atraídos pelo mérito — incluindo os portugueses que emigraram e que só voltam se cá houver trabalho à altura.
E um Estado leve — leve, não ausente. Tem duas obrigações e mais nenhuma. A primeira é regular bem e depressa: prazos vinculativos, deferimento tácito, interlocutor único, regras estáveis e fiscalização séria. A segunda é construir a infraestrutura que a indústria precisa e que nenhuma empresa constrói sozinha — portos expandidos, ferrovia de mercadorias, rede eléctrica com capacidade para ligar quem quer produzir, água, acessos, parques industriais com condições em vez de terrenos com uma placa. Feito isso, sai da frente: não escolhe vencedores, não entra no capital das empresas, não cria empresas públicas para competir com privados, não desenha indústrias à medida dos subsídios que distribui. Quem vive de subsídio não é indústria: é dependência. Assim, Portugal pode ser ao mesmo tempo o que já sabe ser — turismo de qualidade, saúde e bem-estar — e o que nunca chegou a ser: um país que produz.
4. Imigração por mérito e por respeito
Não são quotas nem números: são critérios. Entra quem traz mérito — competência, trabalho, capacidade de contribuir — e quem respeita as regras, as leis e os costumes do país que o acolhe. Portugal deve escolher quem quer receber da mesma forma que qualquer país sério o faz: pelo que a pessoa acrescenta e pelo compromisso que assume com quem cá vive. Ordem não é fechar a porta; é saber quem entra e porquê.
E digamos o que ninguém diz: a política de imigração destes anos não foi desenhada a pensar em Portugal, nem a pensar em quem chega — foi desenhada a pensar em eleições. Partidos que falharam a criar riqueza descobriram que é mais fácil alargar a clientela do que alargar a economia: trazer gente pobre para um país de salários baixos, deixá-la presa ao trabalho precário e aos balcões do Estado, e abrir a porta da nacionalidade a tempo de isso contar nas urnas. É indecente duas vezes — usa quem chega como número e condena-o à vida que lhe venderam como oportunidade. Um Estado que precisa de dependentes para se manter no poder já desistiu de ser competente. Nós queremos o contrário: menos números e melhores critérios — quem vier, vem para ganhar bem, pagar impostos e ficar por escolha, não por falta de alternativa.
5. Justiça, segurança e fronteiras
Respeito pela lei e pela autoridade do Estado: justiça rápida e igual para todos, segurança nas ruas e controlo efetivo das fronteiras. Sem ordem não há liberdade económica que resista — nem confiança de quem investe, trabalha ou cria família.
6. Portugal, um jardim
A floresta ocupa cerca de um terço do território e arde todos os verões porque está abandonada, sem cadastro e mal ordenada. Queremos o contrário: gestão activa, mosaico agroflorestal em vez de monocultura contínua, espécies autóctones, fogo controlado e sapadores a sério, pagamento a quem presta serviços de ecossistema — e cadastro concluído, porque não se gere o que não se sabe de quem é. Uma paisagem cuidada é infraestrutura económica: sustenta o turismo, a saúde e o bem-estar que queremos vender ao mundo, e é a única defesa contra o fogo que funciona em agosto — feita em janeiro.
7. O interior dinamizado, não subsidiado
O interior não precisa de pena: precisa de vantagem competitiva e de indústria a sério. Fiscalidade mais leve do que no litoral para quem lá cria emprego, licenciamento rápido com prazos e deferimento tácito, e a estratégia que nenhum governo teve: especialização por região. Cada território a construir um ecossistema de competência em torno do que faz melhor — indústria, formação profissional e investigação no mesmo sítio, a alimentarem-se umas às outras. Agroindústria e água numa região; floresta, madeira e biomateriais noutra; energia, componentes, defesa, saúde, aeronáutica noutras. Clusters onde a fábrica, o engenheiro e a escola técnica se encontram, em vez de pavilhões vazios à espera de quem nunca chega. Com indústria dessa, viver em Bragança ou em Castelo Branco passa a ser uma escolha racional — e não um sacrifício. Um país só é próspero quando o mapa inteiro produz.
8. Regionalização — fim das ditaduras municipais
Hoje um presidente de câmara concentra poder quase sem contrapeso sobre o que se constrói, onde se constrói e a quem se adjudica — e responde a si mesmo. Queremos regiões administrativas com competências reais e escrutínio real, tirando aos municípios o poder discricionário sobre ordenamento, planeamento e grandes decisões de território, e passando-o para um nível com contas públicas, oposição e fiscalização a sério. Ao município fica o que ele faz melhor por estar perto: licenciamento (com prazos e deferimento tácito), fiscalização e infraestrutura pública local. Menos municípios, mais pequenos em poder e mais competentes na execução. A Constituição prevê regiões administrativas desde 1976 e o modelo levado a referendo em 1998 foi chumbado — o problema não era a ideia, era o desenho.
9. Nacionalidade por filiação
A nacionalidade portuguesa concedida a quem tem pai ou mãe portugueses. Ser português é um laço, não um formulário: um vínculo de família, língua e história — e não um subproduto administrativo de uma estadia.
Em duas linhas: liberal na economia, conservador na ordem e nos valores. Impostos baixos e Estado eficiente; mérito acima de apelido; regras cumpridas e fronteiras respeitadas; e um território inteiro — litoral e interior, cidade e floresta — tratado como património que produz.
Como nos organizamos
Não vamos ter núcleos municipais. Um partido que quer tirar poder discricionário às câmaras não pode passar a vida a construir pequenas cortes em 308 concelhos. A organização é regional, e são oito regiões.
As oito regiões
Norte — Porto, Braga, Viana do Castelo, Vila Real, Bragança
Centro — Aveiro, Coimbra, Leiria, Viseu, Guarda, Castelo Branco
Lisboa e Vale do Tejo — Lisboa, Setúbal, Santarém
Alentejo — Évora, Beja, Portalegre
Algarve — Faro
Açores · Madeira
Diáspora — Europa e Fora da Europa
Cada região junta círculos eleitorais inteiros, porque é por círculo que se apresentam listas. Nenhum distrito fica dividido por dois responsáveis.
O que faz um líder regional
Constrói e defende as listas de candidatos dos seus círculos, recruta e avalia membros, é a cara do partido na região e responde perante o conselho nacional — onde tem assento por direito próprio, para que «regional» signifique alguma coisa.
É eleito pelos membros da sua região, não nomeado por ninguém. Seria absurdo combater o poder sem contrapeso lá fora e distribuí-lo por convite cá dentro.
Uma nota de realidade, porque os números mandam: Lisboa e Porto elegem sozinhos mais de um terço do Parlamento (48 e 40 dos 230 deputados), e juntando Braga, Setúbal e Aveiro passa-se de metade. É aí que se decide se um partido novo existe ou não. E a Diáspora não é um adorno: são quatro deputados, é o eleitorado que esta causa conhece melhor do que ninguém, e é onde cada voto pesa mais.
Fonte da distribuição de mandatos: Comissão Nacional de Eleições.
Deixe o seu contacto
Basta um email ou um telemóvel. Diga-nos também se quer apenas acompanhar, ser membro fundador ou liderar na sua região — é por aí que começamos a falar com as pessoas certas. Sem custos, sem compromisso, sem partilha dos seus dados com terceiros.
Nota: um partido político em Portugal precisa de 7.500 assinaturas de cidadãos eleitores e de inscrição no Tribunal Constitucional (Lei Orgânica n.º 2/2003). Este registo não é uma assinatura — é a lista de quem quer ser chamado quando chegar essa fase.